Tarifa de 50% ameaça falência no setor calçadista, alerta CEO da Usaflex
O recente aumento tarifário de 50% sobre calçados brasileiros nos Estados Unidos pode resultar em demissões em massa e levar empresas à falência em até seis meses, alerta Sérgio Bocayuva, CEO da marca Usaflex e referência no setor.
Contexto acelerado
O mercado global de calçados vive um momento de incerteza devido à elevada barreira tarifária imposta pelos EUA. Com isso, empresas brasileiras que além do modelo private label — fabricação para marcas estrangeiras — operam no mercado internacional enfrentam o maior impacto.
Na visão do executivo, embora apenas 10% da receita da Usaflex seja proveniente do exterior, a aplicação do imposto eleva custos, inviabilizando exportações e inviabilizando planos de expansão. Mesmo as exportações representando apenas 1 % do faturamento anual de R$ 525 milhões da empresa, o risco se estende a muitas concorrentes brasileiras que dependem significativamente do modelo exportador.
Risco real de falência em seis meses
“Se nada for feito, as tarifas podem levar empresas à falência e resultar em demissões em massa em até seis meses”, alerta Bocayuva.
A entidade Abicalçados estima possível perda de até 8 mil empregos diretos caso o imposto permaneça nesse patamar.
Possível saída de crise
Bocayuva ressalta que, caso o imposto seja reduzido para cerca de 15% até o final do ano, é possível absorver os efeitos sem abalos profundos no mercado.
Enquanto isso, a adoção de estratégias como fortalecimento do mercado interno, aumento da eficiência e reposicionamento de linhas de produto tem ajudado a minimizar a exposição à crise.
Reflexões jurídicas e institucionais
Para a ABAJUD — Associação Brasileira de Administradores Judiciais —, o caso evidencia a vulnerabilidade das empresas brasileiras às variações regulatórias e comerciais internacionais. Setores produtivos como o de calçados podem sofrer impactos diretos em sua viabilidade econômica e, por consequência, na sua capacidade de honrar obrigações em processos de recuperação judicial.
A crise reforça a necessidade de atuação preventiva e técnica dos administradores judiciais para:
Identificar dificuldades estruturais que mantenham empresas no limite da insolvência;
Apoiar a reestruturação adequada, evitando que desligamentos empresariais se convertam em execuções judiciais ou pedidos de falência;
Atuar como agente articulador entre partes interessadas, credores e o Judiciário nos momentos mais críticos.
Conclusão
A escalada tarifária sobre produtos brasileiros resulta em um cenário instável para setores exportadores como o calçadista. A previsão de falências iminentes e fechamento de empresas locais reforça a urgência de medidas estratégicas — sejam legislativas, de negociação comercial ou de recuperação judicial.
A crise também destaca que a recuperação judicial vai além de formalismos legais: exige apoio qualificado, análise técnica e visão econômica ampla, capazes de preservar empresas viáveis e proteger empregos e cadeias produtivas. A ABAJUD permanece posicionada como instituição-chave para capacitação de agentes técnicos em cenários extremos como esse.














